Grau de educação dos pais reduz evasão escolar das filhas por gravidez

Grau de educação dos pais reduz evasão escolar das filhas por gravidez

Pesquisa analisou respostas do questionário do Encceja

Fernando Frazão / Agência Brasil

 

Quanto maior a escolaridade de pais e mães, menor é a chance de suas filhas deixarem a escola por engravidarem. Uma pesquisa da plataforma Quero Bolsa investigou respostas do questionário socioeconômico do Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) de 2018 e constatou que cada degrau de escolaridade dos pais têm impacto nessa evasão.

Os pesquisadores analisaram as respostas de três perguntas do questionário aplicado a jovens e adultos que se inscrevem no exame para obter os certificados de conclusão do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio.

Além das duas questões sobre o grau de escolaridade do pai e da mãe dos candidatos, foi analisada a pergunta “De 0 a 5, qual a importância da maternidade e dos filhos para você evadir da escola?”.

Entre as candidatas que disseram que seu pai não estudou, 56% responderam 4 ou 5 para o impacto da gravidez na evasão escolar, o que representa que consideram esse fator “forte” na decisão de parar de estudar. Quando a mãe não estudou, o percentual é ligeiramente maior, de 56,4%.

Os percentuais caem para 53% e 53,3% quando o ensino fundamental é adicionado ao currículo dos pais, e a queda continua para 47,3% e 47,1% no caso do ensino médio, e para 47,3% e 47,1% na graduação.

Entre as mulheres que tinham pai com especialização, 41,7% consideraram a maternidade um motivo forte para a evasão escolar – uma diferença de mais de 10 pontos percentuais em relação ao nível de escolaridade mais baixo.

Maternidade

No caso das mães pós-graduadas, o percentual de filhas que apontam a maternidade como motivo forte para evasão é de 42,8%.

A pesquisa também relacionou a importância atribuída à maternidade no questionário com a renda declarada pelas candidatas. Nesse caso, quanto menor a renda familiar, maior foi o percentual de mulheres que declararam que a gestação precoce pesou para sua evasão escolar.

No grupo que declarou ser de uma família com renda de até R$ 954 (o salário mínimo de 2018), 52,4% disseram que a maternidade foi um fator forte para a evasão escolar. No grupo com renda acima de R$ 5.724, esse percentual cai para 44,5%.

O diretor de ensino superior da plataforma Quero Bolsa, Lucas Gomes, disse que a pesquisa confirmou com dados uma percepção inicial de que os efeitos da educação permanecem nas gerações seguintes.

“A gente conseguiu notar essa relação clara de escolaridade e renda dos pais com o desempenho acadêmico dos filhos. Esse estudo mostra que, realmente, educação e renda têm um efeito geracional. Se você melhora para uma geração, filhos e netos também vão se beneficiar. Por outro lado, se pais e avós têm uma condição ruim, isso também acaba criando uma dívida histórica que a gente tem que lutar contra”, afirmou.

Gomes acrescenta que, em termos práticos, o que precisa ser feito é buscar a universalização do ensino e o avanço da escolaridade em todos os níveis. “Tem que ser feito um investimento em todas as áreas. Qualquer ganho que a gente conseguir entregar vai ter um efeito positivo”, finalizou.

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