São José dos Pinhais – Faleceu hoje Renê Miranda, um ícone da imprensa paranaense

São José dos Pinhais – Faleceu hoje Renê Miranda, um ícone da imprensa paranaense

Foto arquivo

“A maior dificuldade era ser vereador (risos), nós não éramos remunerados, muitas vezes tirávamos dinheiro do bolso para ajudar as famílias carentes” essa frase nos foi revelada por Renê Miranda, um dos jornalistas mais conceituados de São José dos Pinhais que durante 60 anos fez parte da comunicação do Município e que faleceu hoje aos 88 anos.

Filho de Pedro Cassiano e Anita Miranda, nasceu em Curitiba e veio morar em São José dos Pinhais, quando ainda tinha cinco anos. Era de família humilde, seu pai era alfaiate e dali tirava seu sustento. Em 21 de agosto de 1954, casou-se com Teresinha Grossman Miranda, tendo dessa união quatro filhos: René Ernesto, Ricardo Edílson, Ronaldo e Roni Elcio.

Cursou o primário no Colégio Silveira da Motta, ginasial e científico no Colégio Iguaçu (Curitiba), formando-se em Jornalismo em 1953 pela Universidade Federal do Paraná.

Em abril de 2009 o Jornal Correio de Notícias do Grupo CN10 fez uma homenagem ao jornalista Renê Miranda que foi entrevistado pela jornalista Fabielle Moreira (in memoriam). Nas próximas linhas você conhecerá um pouco mais deste “guru” da comunicação.

Por Fabielle Moreira

Se fosse pelo pai, Renê Miranda seria advogado, mas o gosto pela leitura e o prazer em tornar público os fatos, fizeram deste guerreiro um profissional do jornalismo.

São inúmeras as aptidões que foram por ele realizadas, desde Assessor de Imprensa e Diretor de Jornalismo da Rádio Estadual do Paraná (depois Rádio e TV Educativa), a Vereador e Delegado de Polícia.

Renê exerceu os cargos de Jornalista responsável pela Revista Pista Livre, Revista de Integração Latina Americana, Jornal Tribuna Esportiva de São José dos Pinhais, Jornal Correio de Notícias, no Jornal Tribuna de São José, Renê exerceu o cargo de Redator Chefe, além de, unir os casais no Cartório Lídia Kruppizak, como Juiz de Paz.

 

Foram muitas as honrarias recebidas por este profissional da comunicação:

1989 – a Câmara Municipal de São José dos Pinhais Renê Miranda como “Cidadão Honorário” da região;

2000 – a empresa de pesquisa, Agnus, indicou-o como “Melhor Jornalista do Ano”;

2001 – a Câmara de Curitiba, entregou o título de “Personalidade Empreendedora”;

2002 – Renê também ganhou um troféu pelos relevantes serviços prestados na área jornalística;

2004 – o Rotary Club Muricy, conferiu o prêmio a Renê, de “Excelência Profissional”;

2007 – a Assembléia Legislativa do Paraná, destacou o jornalista como, “Personalidade Empreendedora”.

Assim foi a vida deste profissional tão requisitado que em 53 anos colaborou com o jornalismo no Paraná.

Renê se destacou não apenas pelo profissionalismo brilhante, mas, sobretudo, pela capacidade humana de entender o ser humano.

JCN – Sr. Renê, são 50 anos dedicados à comunicação, em todo este tempo qual foi o fato que marcou sua carreira de jornalista?

Renê Miranda – Ao longo dos anos venho acompanhando a ascensão do município e isto me engrandece, pois admiro e torço muito por esta região. O fato que mais marcou minha carreira foi quando escrevi uma matéria sobre a morte de Getúlio Vargas, inclusive, sobre tudo que ele fez pelo país. Com este material fui muito elogiado por toda a imprensa e passei a assumir (na época) na Gazeta do Povo a responsabilidade de noticiar os acontecimentos aqui de São José.

 

JCN – Muitas coisas aconteceram no município em todos estes anos, sobretudo, crimes que desafiaram a polícia. Qual foi a reportagem policial que mais chocou o Renê Miranda como cidadão?

Renê Miranda – Sem dúvida o caso Agatha e Vanessa. A Tribuna de São José acompanhou passo a passo as investigações e o desfecho da tragédia. Foi um crime chocante onde a mãe e a avó foram assassinadas friamente pela filha por não aceitarem o seu romance homossexual.

 

JCN – E na política, quem o Senhor admira ou admirou muito?

Renê Miranda – Admirava muito o já falecido Deputado Estadual, Ernesto Moro Redeschi, pois foi graças ao empenho dele, que hoje, temos em nosso município o Hospital São José.

Ernesto doou o terreno para construção do hospital e buscou auxílio financeiro com famílias tradicionais da região, exemplo: Os Vaccari, Trevisan, Moss e Moro.

 

JCN – O Senhor sempre esteve muito ligado à política, foi vereador e conhece os assuntos que tramitam neste meio. Em sua opinião, como está administração atualmente?

Renê Miranda – É muito cedo ainda para julgar, mas tenho acompanhado as seções na Câmara e os vereadores não estão muito animados em relação à saúde, segurança e falta de creches.

 

JCN – Na época em que o Senhor foi vereador, quais eram as maiores dificuldades?

Renê Miranda – A maior dificuldade era ser vereador (risos), nós não éramos remunerados, muitas vezes tirávamos dinheiro do bolso para ajudar as famílias carentes, então minha esposa dizia: “Se você for vereador novamente, peço divórcio”, a partir daí, nunca mais me candidatei (risos).

 

JCN – Em relação ao jornalismo, o que tem a dizer?

Renê Miranda – (pausa) Vou te falar uma frase e você me diz aonde vai à vírgula.

JCN Fabielle Moreira – Tudo Bem!

Renê Miranda – Enquanto o padre pastava o burro rezava!

 

JCN Fabielle Moreira – (pausa) Enquanto o padre pastava o burro, rezava!

Renê Miranda – Ótimo. Ouvi esta frase de um grande amigo e nunca mais a esqueci, imagina se nós comunicadores colocarmos uma vírgula no lugar errado, vai parecer que o padre pastava e o burro rezava (risos). O que eu quero dizer com tudo isto, é que a nova geração de comunicadores precisam se dedicar bastante, pois o jornalismo é uma profissão incrível, mas, traiçoeira. A melhor maneira de driblar os erros é ler bastante e é isso que tenho a dizer sobre o jornalismo.

 

JCN – Renê deixe uma mensagem aos leitores.

Renê Miranda – Vou dizer o que ouvia do meu pai. “Meu filho, se não puder ajudar, não atrapalhe”. É isto que temos que fazer. Tentar ajudar sempre, mas quando não for possível, jamais atrapalhar.

 

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