Força-tarefa Lava Jato prende representante do estaleiro Jurong em aprofundamento de investigações sobre corrupção e lavagem de dinheiro

Força-tarefa Lava Jato prende representante do estaleiro Jurong em aprofundamento de investigações sobre corrupção e lavagem de dinheiro

Apurações revelaram a existência de outras contas ocultas mantidas por Guilherme Esteves no exterior e fortes indícios sobre repasse de US$ 9 milhões a Martin Chea Kok Choon, presidente da empresa no Brasil à época dos fatos

A pedido da força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná, foram cumpridos hoje (01/07/2019) mandados de prisão de Guilherme Esteves de Jesus e de busca e apreensão no estaleiro Jurong. As medidas cautelares decorrem do aprofundamento das investigações a respeito de pagamentos de propina feitas pela empresa para a obtenção de contratos com a Petrobras.

Esteves já havia sido alvo de medidas cautelares de busca e apreensão e prisão anteriormente, o que ocasionou o oferecimento da ação penal nº 5050568-73.2016.4.04.7000, na qual se apura a prática de crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, com  a utilização das contas Opdale e Black Rock.

Em decorrência do avanço das investigações, apurou-se que, além das contas Opdale e Black Rock,  Esteves manteve no exterior outras quatro contas ocultas, pelas quais movimentou valores relacionados aos crimes de corrupção por ele praticados em favor da Jurong.

Além disso, a partir de informações recebidas por meio de cooperação jurídica internacional com a Suíça, o Ministério Público Federal tomou conhecimento de que, além dos pagamentos de vantagens indevidas, Esteves também repassou US$ 9.033.710,13 para contas mantidas no exterior por Martin Cheah Kok Choon, então presidente da Jurong no Brasil, por meio de diversas transferências fracionadas.  As transferências bancárias noticiadas pelas autoridades suíças foram efetivamente confirmadas a partir da análise dos documentos bancários tanto das contas de Esteves como de Choon.

Ainda em relação às transferências realizadas verificou-se que, em planilhas apreendidas em dispositivos eletrônicos de Esteves, havia referência à divisão com Choon de valores provenientes de contratos de sondas celebrados entre a Jurong e a Petrobras, o que reforçou os indícios de que o estaleiro não apenas sabia do cometimento dos crimes de corrupção por Esteves e o autorizava a praticá-los em seu benefício, mas também que seu presidente se beneficiava diretamente, com o recebimento de “kickbacks”.

Por fim, constatou-se ainda que Esteves ainda possui contas ativas não declaradas no exterior, tendo sido bloqueado saldo de US$ 2.909.386,64 nessas contas.

As medidas adotadas na data de hoje se mostraram necessárias como forma de impedir a prática de novos crimes por parte de Esteves e de aprofundar a investigação sobre possíveis outros casos de corrupção e lavagem de dinheiro praticados em favor dos interesses da Jurong.

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