VÍDEOS-FLAGRANTE: PM usa 6 viaturas para prender dono de bar que se recusou assinar Boletim de Ocorrência

VÍDEOS-FLAGRANTE: PM usa 6 viaturas para prender dono de bar que se recusou assinar Boletim de Ocorrência

Grande quantidade de policiais e seis viaturas da PM foram mobilizados para atender denúncia de perturbação da ordem em bar com 20 pessoas em Curitiba


SindiAbrabar afirma que caso é mais uma situação de abuso de autoridade contra estabelecimentos noturnos

O dono de um bar e um casal de clientes do estabelecimento foram detidos pela Polícia Militar (PM), no começo da noite desta quinta-feira (4), após denúncia de perturbação de sossego na Avenida Manoel Ribas, no bairro Mercês, em Curitiba-PR. A confusão, que resultou na mobilização de seis viaturas da chamada “Patrulha do Sossego”, teria acontecido após o empresário se negar a assinar o boletim de registro da ocorrência.

De acordo com relatos de frequentadores do estabelecimento, a PM teria agido de forma truculenta e com abuso de autoridade ao forçar o dono do estabelecimento, que havia se negado, a assinar o registro do boletim por importunação do sossego, feita ao 190. Haviam aproximadamente 20 clientes no local. O dono e os frequentadores foram algemados e conduzidos à Delegacia, onde assinaram um Termo Circunstanciado (TC).

A mobilização da PM começou depois que o dono do estabelecimento se negou a assinar o documento por não concordar com a acusação de perturbação do sossego, uma vez que eram 20h30. Segundo o relato do empresário Mauro Gaziri, haveria no local cerca de 20 pessoas acomodadas em mesas na calçada, onde um músico estaria tocando violão e gaita em som ambiente.

De acordo com o relato, diante desta negativa, a equipe teria chamado reforço. Em seguida, teriam chegado ao local, de acordo com Gaziri, seis viaturas. O aparato causou indignação nos demais frequentadores, que se manifestaram, mas calmamente.

Diante da negativa em assinar o documento, ele foi levado algemado pelos PMs à delegacia no Centro de Curitiba. O empresário, que estava filmando a ação dos policiais, também acabou algemado. Ele teria reagido ao saber que a esposa, que o estava acompanhado, teria recebido voz de prisão por desacato.

Gaziri afirma que os policiais disseram que ela os xingou de ‘merda’, mas ela se referia à situação, não a eles. Os dois foram então algemados e levados à delegacia onde assinaram um termo circunstanciado. A esposa do empresário relatou a ele que a policial a teria agredido, com um muro na coxa, ao algemá-la. Vídeo e fotos do momento da prisão do dono viralizaram na internet.

A  presença ostensiva de policiais viaturas no bar, leva a analogia com caso recente em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba. Na madrugada do dia 14 de março deste ano, uma jovem de 23 anos foi morta a facadas pelo marido após oito chamadas de vizinhos pelo 190. Incrível, não haviam viaturas para atender a ocorrência e o governador Ratinho Junior considerou o fato “uma falha grave”. 

Repúdio
A Federação das Empresas de Hospedagem, Gastronomia, Entretenimento, Lazer e Similares do Estado do Paraná (Feturismo) e o Sindicato das Empresas de Gastronomia, Entretenimento e Similares de Curitiba (SindiAbrabar) encaminhou uma nota de repúdio a forma e “a condução de investidas desproporcionais de policiais ou operações das forças da segurança pública, em especial a Polícia Militar contra o setor.”

Segundo Fábio Aguayo, vice-presidente da Feturismo e presidente do Sindiabrabar, na semana passada uma situação parecida teria ocorrido contra jornalistas que estavam em um bar do Largo da Ordem. “Somos a favor de fiscalizações, abordagens e um trabalho mais ostensivo e de inteligência nas áreas críticas e de crescimento de violência e tráfico da Capital e nas cidades pólos do Estado”, disse Aguayo.

“Entendemos que as forças policiais vinculadas a SESP (Secretaria de Segurança Pública do Paraná) precisam agir preventivamente, mas, também, precisa melhorar a orientação as forças policiais para separar o joio do trigo e evitar abuso de autoridade e excessos fora do padrão”, ressalta.

Em nota, a PM informou que a atuação em casos de perturbação de sossego é uma constante e o foco das atividades é a prevenção e o bem comum. “A corporação conta com o trabalho da Patrulha do Sossego, que faz operações e abordagens nos locais onde há frequentes denúncias”, informou.

Vale lembrar que: O cidadão pode perfeitamente fiscalizar a ação dos agentes públicos sem atrapalhar o desempenho da missão pública e sem alterar a cena do crime. Registrar à distância a busca pessoal em nada prejudica a abordagem policial. Evidentemente deve se identificar quando solicitado (artigo 68 da LCP).

Fonte: SindiAbrabar

 

 

 

 

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