Guedes diz que não sairia do governo depois da primeira derrota

Guedes diz que não sairia do governo depois da primeira derrota

Ele disse que não tem apego ao cargo se sua agenda for rejeitada

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje (27) que não seria irresponsável de deixar o governo após sofrer a primeira derrota. Ele, no entanto, declarou não ter “apego ao cargo”, e afirmou que poderá deixar o governo caso o presidente da República, os partidos e os parlamentares rejeitem sua agenda econômica.

Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, a senadora Eliziane Gama (PPS-MA) perguntou se Guedes deixaria o cargo caso a reforma da Previdência seja aprovada com uma economia inferior à meta de R$ 1 trilhão.

O ministro respondeu que acredita na “dinâmica virtuosa” da democracia e declarou que não deixaria o governo na primeira dificuldade. Ele, no entanto, disse que há limites e que o dele será avaliar se está contribuindo com soluções.

“Eu venho para ajudar, aí o presidente não quer, o Congresso não quer. Vocês acham que eu vou brigar para ficar aqui? Estou aqui para servi-los. Não tenho apego ao cargo, desejo de ficar a qualquer custo, como não tenho inconsequência e irresponsabilidade de sair na primeira derrota, não existe isso”, respondeu Guedes.

Valter Campanato/Agência Brasil

Histórico

Na cerimônia de transmissão de cargo, em 2 de janeiro, Guedes tinha dito que “é muito fácil fazer alguém desistir em Brasília”. Na audiência de hoje, o ministro afirmou que deixaria o cargo somente em último caso, se não tivesse apoio nem do presidente Jair Bolsonaro.

“Se o presidente apoiar as coisas que eu acho que podem resolver o Brasil, eu estarei [no governo]. Agora, se o presidente ou a Câmara ou ninguém quer aquilo, eu vou dificultar o trabalho dos senhores? De forma alguma. Voltarei para onde sempre estive. Tenho uma vida fora daqui”, acrescentou.

Audiência

Durante a audiência, o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP), cobrou de Guedes e da área econômica uma nota técnica para explicar a importância da reforma da Previdência para os parlamentares partido do presidente da República.

O ministro se envolveu em uma confusão com a senadora Kátia Abreu (PDT-TO). A parlamentar tentou interrompê-lo enquanto prestava esclarecimentos e ele não permitiu, dizendo que a senadora, inscrita no bloco seguinte de perguntas, teria sua vez de falar.

O ministro disse ao presidente da CAE, senador Omar Aziz (PSD-AM) que era necessário “ter alguma disciplina” na audiência. Aziz defendeu Kátia Abreu, dizendo que ela é uma representante do povo e teria direito a falar e fazer pequenas interrupções.

Outros parlamentares declararam que o ministro teria mandado a senadora “calar a boca”, o que Guedes negou. Depois do incidente, Kátia Abreu seguiu com o aparte, dizendo que atualmente os militares têm mais privilégios na Previdência que os senadores.

Depois do incidente, Kátia Abreu seguiu com o aparte, dizendo que atualmente os militares têm mais privilégios na Previdência do que a aposentadoria de deputados e senadores, limitada ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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