Membranas da Vale não resolvem problema, diz prefeito de Pará de Minas

Membranas da Vale não resolvem problema, diz prefeito de Pará de Minas

Empresa precisará de outra solução para não prejudicar abastecimento

Brumadinho – Reuters/Adriano Machado/Direitos Reservados
“Esse tipo de membrana não é suficiente. Ela evita a passagem de partículas maiores, mas as menores passam. São membranas de contenção, e não de filtragem”, disse o prefeito. Pará de Minas fica a 40 quilômetros de Brumadinho, local do rompimento de uma barragem de rejeitos da Vale no último dia 25, e tem cerca de 100 mil habitantes. Até ser atingido pela lama que vazou no rompimento da barragem da Vale na Mina do Feijão, o Rio Paraopeba era a principal fonte de abastecimento de água em Pará de Minas.

As membranas começaram a ser instaladas pela Vale no dia 3 de fevereiro, com o objetivo de permitir que o sistema para captação continuasse operando. De acordo com a empresa, as membranas medem 30 metros (m) de comprimento e até 3m de profundidade e teriam o potencial de reter os sedimentos ultrafinos. “A estrutura funciona como um tecido filtrante, evitando a dispersão das partículas sólidas (argila, silte, matéria orgânica etc), que provocam a turbidez da água e alteram sua transparência”, registrou nota divulgada pela mineradora na ocasião.

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), estatal ligada ao governo mineiro e responsável pelo abastecimento de aproximadamente 75% das cidades do estado, não atende Pará de Minas. No município, o serviço está sob responsabilidade de uma concessionária do grupo Águas do Brasil, que interrompeu preventivamente a captação no Rio Paraopeba na noite do dia 29 de janeiro, quatro dias após a tragédia e antes que a lama alcançasse o município.

“A água fornecida à população está sendo captada nos ribeirões Paciência e Paivas, que são mananciais locais, além dos poços profundos, seguindo todos os padrões de qualidade exigidos pelo Ministério da Saúde”, informa comunicado no site da concessionária.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais vem orientando que a água bruta do Rio Paraopeba não seja utilizada para nenhuma finalidade. Com base em resultados preliminares de amostras da água, a secretaria recomenda que seja mantida distância de 100 metros para as margens do rio.

Situação de emergência

Na semana passada, o prefeito decretou situação de emergência no município. A medida permite dispensa de licitação para contratos de compra de bens necessários às atividades de resposta à tragédia e para realizar obras relacionadas com a reabilitação das áreas atingidas, desde que possam ser concluídas em até 180 dias.

De acordo com o prefeito, o decreto dá ao município condições de atuar com rapidez caso ocorram problemas com o abastecimento de água. Segundo Diniz, as alternativas já encontradas estão sendo suficientes para o atendimento neste período chuvoso. “Atualmente, a vazão dos dois ribeirões está atendendo a demanda juntamente com os poços artesianos. A preocupação é com a entrada do período de estiagem, que começa em abril”, acrescentou o prefeito.

Entre as alternativas para garantir o abastecimento do município no período seco, ele apontou a captação no Rio Pará, a 35 quilômetros da área urbana de Pará de Minas, ou no Reservatório Serra Azul, que já é responsável pelo fornecimento para cidades da região metropolitana de Belo Horizonte. Outra possibilidade seria recorrer ao auxílio de Itaúna – a concessionária Serviço Autônomo de Água e Esgoto, que atua no município vizinho, poderia fornecer água. Mas essa opção demandaria caminhões-pipa para o transporte.

O assunto tem sido uma das pautas do comitê gestor criado pelo decreto da situação de emergência. O comitê é composto por representantes da prefeitura, da concessionária, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outros órgãos.

Apesar da preocupação do comitê com a situação, o prefeito diz que a solução deve vir da mineradora. “Quem tem que fazer um estudo hídrico e encontrar o melhor ponto para captação é a Vale”, disse o prefeito. Ele acrescentou que o município tem mantido um relacionamento cordial com a empresa, que tem prometido resolver o problema. Elias Diniz afirmou, no entanto, que, se as promessas não saírem do papel, a prefeitura poderá recorrer à Justiça.

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