Conheça a história da Colônia Marcelino (São José dos Pinhais)

Texto e fotos: Antonio Bobrowec

Nesta edição sobre a história das colônias e comunidades rurais de São José dos Pinhais se falará da Colônia Marcelino. Ela se formou dos sobreviventes da fracassada colônia Santos Andrade e que representa hoje o símbolo da preservação da tradição ucraniana no Município.

A origem do nome

Como várias colônias espontâneas em São José dos Pinhais, o nome da Colônia Marcelino não é oficial. O nome Marcelino é uma referência ao nome de um dos proprietários das terras que foram vendidas aos imigrantes poloneses e ucranianos que se instalaram na região: Marcelino José Nogueira, coronel da Guarda Nacional no tempo do Império brasileiro e proprietário de uma venda de secos e molhados. A localidade era chamada de Marcelinos desde 1893, conforme levantamento dos proprietários de terras no Município, realizado pelo Governo do Paraná, como afirma a historiadora Maria Angélica Marochi em sua obra Imigrantes: 1870-1950: Os Europeus em São José dos Pinhais (Travessa dos Editores, 2006, pp. 194-195).

Uma integrante do grupo de dança folclórica Soloveiko, que preserva as tradições ucranianasOs primeiros moradores

No período Colonial no Brasil, as terras eram adquiridas por concessões pela Coroa Portuguesa, as chamadas sesmarias. Em São José dos Pinhais não foi diferente. Os primeiros donos de terras eram, na grande maioria, de descendentes de portugueses.

Com o passar do tempo, estas terras passaram a ter moradores pobres, que começaram a vender suas propriedades para comprar comida e utensílios para a casa. Dois personagens serão os grandes compradores de terras em São José nesta época: Franklin Gonçalves Cordeiro e Marcelino José Nogueira. Este último conseguiu adquirir as terras com as dívidas que os moradores das localidades tinham com a sua venda. Para pagar suas dívidas, muitos moradores pobres perderam suas terras.

A comunidade do Marcelino construiu e inaugurou no dia 04/06 uma nova igreja da Santíssima Trindade, um grandioso tempo católico de estilo bizantino. Projeto desenvolvido e doado pela comunidade pelo arquiteto e urbanista Marcelo Ferraz – Foto: Edson Renato

Franklin e Marcelino foram procurados pelos imigrantes poloneses e ucranianos da Colônia Santos Andrade para que lhes vendessem terras, porque onde moravam era uma região imprópria para o plantio (Colônia Santos Andrade), sofriam ataque freqüente de índios e, para complicar ainda mais, houve na antiga colônia uma forte epidemia de tifo, que veio por matar muitos dos moradores. Marcelino e Franklin venderam suas terras para esses imigrantes, bem como aos que abandonaram as colônias Tomás Coelho (hoje Araucária) e Órleans (Curitiba) para residir em São José dos Pinhais.

Educação e religião

Instalados no Marcelino, os descendentes poloneses não se misturaram com os ucranianos. Cada um escolheu uma parte da região para construir suas residências, sua igreja e preservar seus costumes.

Igreja São Pedro e São Paulo feita pelos descendentes de poloneses em 1903

Ainda no início do século XX, de acordo com o Inventário da Arquitetura Antiga de São José dos Pinhais, realizado pela Secretaria Municipal de Urbanismo, em 2012, os imigrantes ucranianos construíram sua primeira igreja de madeira em louvor à Santíssima Trindade. Em 1927 teve início a construção da igreja em alvenaria, concluída em 1932. Nela foi construído anexo o Educandário Sagrado Coração de Maria, que desde a sua fundação foi administrado pelas irmãs servas de Maria Imaculada.

Igreja Santíssima Trindade, feita pelos imigrantes e descendentes ucranianos em 1932

A primeira igreja polonesa foi construída de madeira em 1904, tendo como padroeiro São Pedro e São Paulo, e teve a ajuda dos brasileiros. Na década de 1920 foi edificada a igreja de alvenaria e, no final da década de 1950, foram concluída as obras de ampliação.

Economia

Por anos, a economia dos moradores da região era de subsistência. Com a vinda dos imigrantes, passou-se a plantar trigo, cevada e hoje a localidade ainda tem como base econômica a agricultura, especialmente com o cultivo da camomila, destinada à indústria de cosméticos e farmacêutica.

Compartilhe: